Algumas pesquisas parecem mostrar que sim...
Essa não é uma brincadeira. Uma pesquisa realizada pelo médico D.B. Allison, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, aponta a invenção do engenheiro norte-americano Willis Carrier como um fator importante no ganho de peso mundial. O ar condicionado estabiliza a temperatura externa e quando ficamos muito tempo em um ambiente onde o clima é estável não gastamos energia para equilibar a nossa temperatura com a do local.
Os efeitos do ar condicionado
O ar condicionado trouxe conforto para empresários, secretárias
e demais trabalhadores que vivem enfurnados dentro de salas fechadas. Mas
é esse mesmo conforto climatizado que vem sendo apontado como uma das
causas da epidemia de obesidade que assola países pelo mundo, entre
eles Estados Unidos e Brasil.
Funciona assim: imagine uma professora que acorda pela manhã e ruma para a escola para dar aulas. Ao sair de uma sala para a outra, andar pelos corredores ou mesmo descer para a sala de reuniões, ela pode sair de um ambiente a 29ºC direto para outro a 34ºC.
Essa variação faz com que o organismo dela esteja sempre trabalhando para balancear a temperatura do corpo com a do ambiente onde ela está no momento. E nossa professora ainda tem uma ajudinha para não colecionar gordurinhas pelo corpo: ela não passa horas sentada em uma cadeira. Ao andar para lá e para cá, ela deixa o "sedentarismo profissional" de lado - o que evita o acúmulo de gordura.
Agora, pensemos na situação inversa. Uma secretária de um executivo de alto escalão chega para trabalhar, senta em sua cadeira e dificilmente sai de perto de sua mesa durante as nove horas de serviço. Com o ar condicionado sempre a 27ºC, o organismo dela não precisa fazer esforço algum para estabilizar a temperatura interna com a do ambiente.
Nessas condições, o corpo entra em uma termoregulação e não gasta energia para estabilizar sua temperatura.
É aí que entra o lado negativo do ar condicionado. O mesmo estudo realizado por Allison aponta que o número de residências americanas com o aparelho cresceu 24% no período de 1978 a 1997. Os dados, segundo o pesquisador, caminham lado-a-lado com o aumento do número de obesos no mundo. Por isso, pessoas que passam a maior parte do tempo em ambientes fechados e refrigerados devem seguir uma dieta regrada e fugir do sedentarismo.
A termoregulação
E, agora, você fica na dúvida: mas a temperatura do corpo humano
não é constante? Pois é, na teoria (e no final das contas)
sim. Mas para conseguir isso, o organismo trabalha o tempo todo para que o
ponteiro do nosso termômetro biológico não saia do lugar.
Quando chega o inverno e a temperatura cai, o sistema nervoso central emite sinais para que o corpo trabalhe e não nos deixe morrer de hipotermia. Esse período de readaptação da temperatura (que pode ser repetido por quantas vezes você entra e sai de uma casa aquecida), consome energia do corpo - daí dizer que o frio ajuda a emagrecer.
Agora quando as temperaturas do ambiente sobem e batem a
casa dos 35ºC, nosso organismo trabalha em um mecanismo inverso, buscando
reduzir a temperatura corpórea. E o suor é uma das características
físicas mais perceptíveis desse processo, que também
é ligado a um consumo de energia pelo organismo.