Os circuitos integrados digitais devem
ter o menor número possível de resistores. Esses componentes, mesmo no interior
dos chips, ocupam áreas muito maiores que os transistores. Além disso produzem
maior dissipação de calor e retardos que tornam os chips mais lentos. Por
isso os projetistas tentam na medida do possível usar os próprios transistores
para substituir os resistores. Daí surgiram os circuitos CMOS (Complementary
Metal Oxide Semiconductor). Consiste em utilizar no circuito da figura 53,
um segundo transistor no lugar do resistor. Este segundo transistor possui
características inversas às do primeiro. São chamados transistores complementares.
Um transistor é do tipo NMOS, e o outro é tipo PMOS. Quando um transistor
conduz, o outro não conduz, e vice-versa. O resultado é o mesmo obtido com
o uso do resistor, porém ocupando muito menos espaço, consumindo menos energia
e com mais velocidade. O arranjo completo é mostrado na figura 57.
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Figura 3.57 Circuito equivalente de uma célula CMOS. |
Este circuito é o inversor, o mais
simples dos operadores lógicos. Ele gera um bit 1 quando recebe um bit 0,
e gera um bit 0 quando recebe um bit 1. Outras funções lógicas mais complexas
são implementadas com arranjos parecidos. Observe que ambos os transitores
possuem seus terminais gate interligados. Quando esta entrada recebe
um bit 1, ou seja, um nível de tensão elevado, o transitor inferior conduzirá
corrente, e o superior ficará cortado, ou seja, sem conduzir. Isto
fará com que a saída fique com tensão baixa, ou seja, um bit 0. Quando a entrada
receber um bit 0, o transistor inferior ficará cortado, sem conduzir, e o
transistor superior irá conduzir, fazendo com que sua saída fique com uma
tensão quase igual à da fonte de alimentação (bit 1). A figura 58 mostra como
o par CMOS é construído em um chip.
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Figura 58 Camadas que formam o par CMOS. |
A maioria dos chips modernos utilizam a tecnologia CMOS. Existem outras tecnologias que são utilizadas em aplicações nas quais o CMOS não pode ser aplicado. Por exemplo, os pares CMOS não são indicados quando é necessário fornecer correntes elevadas, como por exemplo, para alimentar os slots de um barramento. Nesses casos são usados circuitos lógicos TTL, que consomem mais energia, mas também podem fornecer mais corrente. Muitos chips utilizam internamente células CMOS e externamente apresentam entradas e saídas TTL.
Muitas pessoas ouvem falar em CMOS pela primeira vez ao tomarem contato com o chamado CMOS Setup de placas de CPU. Acabam conhecendo o ”chip CMOS”, no qual existe uma pequena área de memória para armazenar configurações do BIOS da placa de CPU, além de um relógio permanente. O “chip CMOS” é alimentado por uma bateria que o mantém em funcionamento mesmo quando o computador está desligado. Aqui está um fato curioso: praticamente todos os chips do computador utilizam a tecnologia CMOS. É errado pensar que apenas o popular “chip CMOS” que armazena os dados do Setup e tem o relógio permanente utiliza esta tecnologia.